
” Ultimamente tenho me resumido em duas coisas: confusão e contradição. Confusão porque nunca sei, ao certo, de nada, e contradição porque as vezes teimo em ter certeza.”
(Bía Viterbo)
Inadequada para a sociedade, sou uma desclassificada e insolente que vive um estilo de vida moralmente questionável.
... E ela só queria atenção, queria senti-se amada como aquelas princesas dos contos de fada, ao menos uma noite. Festa, animação, expectativas. Uma mulher com uma menina escondida em algum lugar dentro dela, com um medo, uma angustia uma grande culpa tomando conta do seu interior, ela se vê sozinha, a procura desse príncipe, que nunca chega, e a cada lugar, a cada esbarrão, a cada olhar mais uma vez chega à decepção de não ter encontrado aquele alguém. E nem que seja por uma noite ela se conformaria de sentir-se assim, vagas lembranças desse sentimento, um amor sempre unilateral, um amor sempre irreal. Falar de amor não é fácil para ela, um coração enganado e machucado, ainda não totalmente curado, enfim ela só faz planos, só faz planos, sempre a espera desse tão sonhado príncipe que talvez não seja nada encantado.
Sinto falta de você.
Mas o que sinto falta é de tudo o que é
seu e que me falta.
Sinto falta de minhas faltas que em você não faltam.
Sinto falta do que eu gostaria de ser e você já é.
Estranho jeito de carecer, de parecer amor.
Hoje, neste ímpeto de honestidade
que me faz dizer,
eu descobri minhas carências inconfessáveis
que insisto em manter veladas.
Acessei o baú de minhas razões inconscientes
e descobri um motivo para não continuar mentindo.
Hoje eu quero lhe confessar o meu não amor,
mesmo que pareça ser.
Eu não tenho o direito de adentrar o seu território
com o objetivo de lhe roubar a escritura.
Amor só vale a pena se for para ampliar
o que já temos.
Você era melhor antes de mim, e só agora posso ver.
Nessa vida de fachadas tão atraentes e fascinantes;
Nestes tempos de retirados e retirantes,
seqüestrados e seqüestradores,
a gente corre o risco
de não saber exatamente quem somos.
Mas o tempo de saber já chegou.
Não quero mais conviver com meu lado obscuro,
e, por isso, ouso direcionar meus braços
na direção da dose de honestidade que hoje me cabe.
Hoje quero lhe confessar meu egoísmo.
Quem sabe assim eu possa
ainda que por um instante amar você de verdade.
Perdoe-me se meu amor chegou tarde demais,
se meu querer bem é inoportuno e em hora errada.
É que hoje eu quero lhe confessar meu desatino,
meu segredo tão desconcertante:
Ao dizer que sinto falta de você
eu sinto falta é de mim mesma.